CASAMENTO NO BRASIL VOLTA A CRESCER, MAS UNIÃO ESTÁVEL LIDERA
Registros em cartório subiram 0,9% em 2024, enquanto o Censo aponta as uniões não formalizadas como o arranjo mais comum entre os casais do país.

O casamento no Brasil registrou alta em 2024, mas perdeu espaço como forma predominante de união. Foram 948.925 casamentos civis no país, aumento de 0,9% sobre 2023, quando houve 940,8 mil registros, segundo as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas pelo IBGE em 10 de dezembro de 2025. No mesmo período, o Censo 2022 mostrou que as uniões consensuais superaram, pela primeira vez, os casamentos no civil e no religioso.
Alta em 2024 não recompõe o patamar pré-pandemia
Os 948,9 mil registros de 2024 vieram depois de 940,8 mil em 2023. Apesar do avanço, o número segue distante do nível anterior à pandemia de covid-19. Em 2019, o país registrou 1 milhão de casamentos, e a média anual entre 2015 e 2019 foi de quase 1,1 milhão, patamar 11,8% superior ao de 2024. O piso da série recente ficou em 2020, com 757,2 mil uniões.
A taxa de nupcialidade acompanha a retração. Em 2024, foram 5,6 casamentos para cada mil habitantes de 15 anos ou mais, contra 7,1 em 2014. Rondônia (8,9) e o Distrito Federal (8,4) lideraram. Piauí (3,2) e Sergipe (3,7) tiveram as menores taxas. Dezembro se manteve como o mês preferido, único a superar 100 mil registros, ante média mensal de 79 mil.
Os divórcios seguiram caminho inverso. Foram 428,3 mil dissoluções entre casais de sexos diferentes em 2024, queda de 2,8% ante as 440.827 de 2023. É o primeiro recuo desde 2020 e interrompe três anos consecutivos de alta. A gerente da pesquisa no IBGE, Klívia Brayner, ponderou que ainda não é possível falar em tendência: “A gente precisaria de mais anos para falar em tendência de queda”. O movimento não foi uniforme. O Norte teve alta de 9,1% nos divórcios, enquanto o Centro-Oeste registrou a maior queda, de 11,8%.
Casais se unem mais tarde e se separam mais cedo
Os dados do IBGE indicam mudança no calendário conjugal. A idade média no casamento subiu de 27,8 anos entre os homens e 24,9 anos entre as mulheres, em 2004, para 31,5 e 29,3 anos em 2024. A idade média no divórcio ficou em 44,5 anos para eles e 41,6 anos para elas, e o tempo médio entre o casamento e o divórcio caiu de cerca de 16 anos, em 2010, para 13,8 anos em 2024. No ano passado, houve 45,7 divórcios para cada 100 casamentos entre pessoas de sexos diferentes, proporção inferior à do ano anterior.
Outro movimento é o crescimento das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Foram 12.187 casamentos homoafetivos em 2024, alta de 8,83% sobre os 11.198 de 2023 e maior número desde o início da série, em 2013, quando houve 3.700 registros. As uniões entre mulheres somaram 7.876, ou 64,62% do total. Foi o quarto ano seguido de crescimento. O IBGE ressalva que os cartórios ainda não fornecem informações suficientes para contabilizar divórcios de casais do mesmo sexo. A série começa em 2013, ano da Resolução 175 do CNJ, que impede cartórios de recusar esses casamentos, após decisão do STF de 2011 que equiparou uniões homoafetivas e heteroafetivas.
União consensual passa a ser o arranjo mais comum
O suplemento Nupcialidade e Família do Censo 2022, divulgado em 5 de novembro de 2025, mostra o deslocamento mais profundo. Entre os brasileiros de 10 anos ou mais que viviam em união conjugal, 38,9% estavam em união consensual, contra 37,9% em casamento civil e religioso. Em 2000, as proporções eram de 28,6% e 49,4%, respectivamente. No total, 51,3% da população de 10 anos ou mais vivia em união conjugal, o equivalente a 90,3 milhões de pessoas.
O arranjo tem recorte etário e de renda. Pessoas de até 39 anos concentram 56,2% das uniões consensuais. Entre quem tinha rendimento de até meio salário mínimo, elas respondiam por 52,1% dos casos. Nas faixas de renda mais altas, o casamento civil e religioso chega a 54,3%. Para a pesquisadora do IBGE Luciene Longo, “a união consensual é ainda um fenômeno mais jovem”.
Juridicamente, a distância entre os dois arranjos diminuiu. Em 2017, o STF equiparou união estável e casamento para efeitos de direito sucessório. A união estável, porém, não altera o estado civil. O próximo retrato do tema virá com a edição 2025 das Estatísticas do Registro Civil, ainda sem data de divulgação confirmada.



