Esdras Dantas de Souza: Sem advogado forte, não há democracia protegida
A função essencial da advocacia e o risco de um sistema sem defesa

Por Esdras Dantas de Souza
A democracia não se sustenta apenas com eleições, leis ou instituições.
Ela depende de algo menos visível — mas absolutamente essencial:
a existência de uma advocacia livre, independente e atuante.
Sem isso, o cidadão perde sua principal linha de defesa.
O que está acontecendo
A Constituição brasileira reconhece a advocacia como função essencial à justiça.
Não é um detalhe técnico.
É um pilar do sistema.
O advogado não atua apenas em processos.
Ele garante que o cidadão tenha voz diante do poder.
Ainda assim, cresce a percepção de que muitos desconhecem — ou subestimam — esse papel.
Em um ambiente de tensões institucionais, insegurança jurídica e conflitos de interpretação, a presença de uma advocacia forte se torna ainda mais relevante.
Por que isso importa
O funcionamento do Estado Democrático de Direito depende de equilíbrio.
De um lado, o poder público.
Do outro, o cidadão.
Entre eles, está o advogado.
É ele quem traduz a linguagem jurídica.
Quem questiona excessos.
Quem garante que o direito não fique apenas no papel.
Sem essa mediação técnica e independente, o sistema perde um elemento fundamental de controle.
E sem controle, o poder tende a se expandir.
Impactos diretos na vida das pessoas
Essa discussão não é abstrata.
Ela afeta o cotidiano.
Quando a advocacia é forte:
- direitos são efetivamente exercidos
- abusos são questionados
- decisões são equilibradas
Quando ela é fragilizada:
- o acesso à justiça se torna mais difícil
- o cidadão se sente desprotegido
- a desigualdade de forças aumenta
Em outras palavras, a presença — ou ausência — de uma advocacia atuante muda o resultado.
Você já parou para pensar quem fala por você diante do poder?
O que pode acontecer a partir de agora
Especialistas apontam que o fortalecimento da advocacia passa por três fatores centrais:
- independência profissional
- valorização institucional
- atuação ética e qualificada
Além disso, o próprio ambiente democrático exige vigilância constante.
A sociedade precisa compreender que a advocacia não é um interesse corporativo.
É uma garantia coletiva.
Quando o advogado atua com liberdade, quem ganha é o sistema.
Um ponto de equilíbrio essencial
Defender o papel da advocacia não significa colocá-la acima das instituições.
Significa reconhecê-la como parte indispensável do funcionamento delas.
A Justiça não se faz apenas com julgadores.
Ela se constrói no diálogo entre as partes, na argumentação técnica e no direito de defesa.
E nesse processo, o advogado ocupa uma posição única.
Conclusão
A história mostra que sociedades democráticas sólidas possuem algo em comum:
advogados independentes, respeitados e atuantes.
Porque, no fim, a equação é simples:
sem advogado independente, não existe cidadão protegido —
existe apenas poder sem controle.
A democracia não se mede apenas pela existência de normas.
Mas pela garantia de que alguém pode questioná-las, interpretá-las e defendê-las com liberdade.
E essa é, talvez, uma das funções mais importantes — e menos compreendidas — da advocacia.
Esdras Dantas de Souza é advogado, professor, ex-presidente da OAB DF, ex-diretor do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional), colunista do Pauta Brasil e presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)



