Internacional

POLÍTICA DE VISTOS DOS EUA IMPACTA TURISMO E HOTÉIS NA COPA

Restrições migratórias adotadas pelo governo Trump reduzem fluxo de visitantes internacionais e afetam reservas nas cidades americanas que recebem partidas do Mundial.

A poucos dias do início da Copa do Mundo, um dos setores que mais esperavam lucrar com o evento já demonstra sinais de preocupação nos Estados Unidos. Dados do mercado de hospedagem apontam que hotéis localizados nas 11 cidades-sede americanas vêm registrando níveis de ocupação abaixo das expectativas, enquanto destinos do México e do Canadá, que também recebem partidas do torneio, apresentam desempenho superior na procura por acomodações.

Especialistas do setor atribuem parte desse cenário às políticas migratórias mais rígidas implementadas pelo governo do presidente Donald Trump. As medidas têm dificultado a entrada de visitantes de diversos países e gerado receio entre torcedores estrangeiros que planejavam acompanhar a competição em território norte-americano.

Restrições migratórias afetam delegações e visitantes

Política de Trump afasta turistas da Copa e preocupa hotelaria

A atual política de vistos dos Estados Unidos tem sido apontada como um dos fatores que influenciam a redução do interesse de turistas internacionais. Entre as 48 seleções participantes da Copa, algumas enfrentam obstáculos relacionados à entrada no país.

As delegações do Haiti e do Irã, por exemplo, lidam com restrições severas de acesso ao território americano. Já Costa do Marfim e Senegal estão sujeitos a limitações parciais. Em outros casos, integrantes de seleções e membros de comissões técnicas tiveram dificuldades para obter a documentação necessária, provocando atrasos em viagens e planejamentos logísticos.

Além das questões burocráticas, episódios envolvendo autoridades migratórias também ganharam repercussão internacional. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado pela Fifa um dos principais nomes da arbitragem africana, foi impedido de entrar nos Estados Unidos após passar cerca de 11 horas sob interrogatório em um aeroporto americano. Com isso, ficou fora da competição.

Outro episódio envolveu o atacante iraquiano Aymen Hussein. O jogador permaneceu retido por aproximadamente sete horas no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago. Segundo autoridades de segurança, houve uma suposta confusão de identidade durante os procedimentos de verificação.

Esses casos têm alimentado preocupações entre torcedores estrangeiros, especialmente aqueles oriundos de países submetidos a controles migratórios mais rigorosos.

Mercado hoteleiro registra procura abaixo do esperado
Hotéis nos EUA têm reservas abaixo do esperado às vésperas da Copa do Mundo - Esportes - Ansa.it

Enquanto cidades canadenses e mexicanas observam crescimento na procura por hospedagem, o cenário nos Estados Unidos tem sido mais cauteloso.

Levantamento da empresa CoStar, especializada em análises do setor hoteleiro, indica que Vancouver, no Canadá, e Guadalajara, no México, lideram a ocupação entre as cidades ligadas ao torneio, com aproximadamente 48% dos quartos já reservados.

Nas cidades americanas, entretanto, os índices permanecem inferiores. Com exceção de Los Angeles, a maioria dos destinos ainda não alcançou 40% de ocupação, percentual considerado modesto para um evento esportivo de alcance global.

A situação também aparece em pesquisa realizada pela Associação Americana de Hotéis e Hospedagem (AHLA). Segundo o levantamento, cerca de 80% dos proprietários consultados afirmaram que o volume de reservas ficou abaixo das projeções iniciais.

Além disso, 70% dos entrevistados apontaram as restrições de vistos e as tensões geopolíticas internacionais como fatores que contribuíram diretamente para a diminuição da demanda por turistas estrangeiros.

Setor vê potencial, mas cobra ambiente mais acolhedor

Este hotel cobra US$ 1 milhão para assistir à Copa do Mundo da forma mais exclusiva possível - Seu Dinheiro

Apesar dos números abaixo das expectativas, representantes do setor acreditam que ainda existe espaço para recuperação ao longo da competição.

“Uma série de fatores moderou o otimismo inicial, embora indicadores mostrem que ainda há oportunidades significativas pela frente. Para concretizar esse potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora e tranquila para os viajantes estrangeiros”, pondera a presidente da AHLA, Rosanna Maietta.

Além das questões migratórias, empresários do turismo destacam outros elementos que podem estar afastando visitantes. Entre eles estão os preços elevados dos ingressos, os custos de transporte entre cidades-sede e as despesas gerais associadas à viagem durante o torneio.

Analistas observam que os reflexos da política migratória começaram a ser percebidos ainda nos primeiros meses do segundo mandato de Donald Trump. Entre as medidas adotadas estão restrições de entrada para cidadãos de dezenas de países e alterações em programas de emissão de vistos.

Embora a Fifa seja responsável pela organização esportiva do Mundial, especialistas apontam que a entidade possui pouca margem de atuação sobre decisões soberanas relacionadas ao controle de fronteiras. Dessa forma, as regras estabelecidas pelo governo americano continuam sendo determinantes para a experiência de atletas, profissionais e turistas internacionais que pretendem acompanhar a competição nos Estados Unidos.

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