Política

FALTA UMA SEMANA: O QUE TODO ELEITOR PRECISA SABER ANTES DO SEGUNDO TURNO

No próximo domingo, milhões de brasileiros voltarão às urnas. Local de votação, documentos, horários, justificativa, celular, desinformação e regras do dia: veja como se preparar para exercer o voto com tranquilidade e consciência.

Falta uma semana.

No próximo domingo, 25 de outubro, o Brasil volta às urnas para o segundo turno das Eleições 2026.

Depois de meses de campanha, debates, pesquisas, discursos, vídeos, mensagens nas redes sociais e discussões entre familiares, amigos e colegas de trabalho, chega a fase em que a informação prática se torna tão importante quanto a discussão política.

Onde vou votar? Que documento preciso levar? Qual é o horário? Posso usar o e-Título? Quem não votou no primeiro turno pode votar agora? É permitido levar celular? Como justificar a ausência? E como evitar cair em informações falsas justamente nos últimos dias da campanha?

São perguntas simples, mas importantes.

A uma semana da votação, o Pauta Brasil reun3u as principais informações que o eleitor precisa conhecer para chegar ao próximo domingo preparado, informado e consciente.

Mais do que escolher candidatos, uma eleição é também um exercício de cidadania.

O SEGUNDO TURNO SERÁ EM 25 DE OUTUBRO

O segundo turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado no próximo domingo, 25 de outubro.

A votação ocorrerá das 8h às 17h, seguindo o horário oficial de Brasília, inclusive nas localidades brasileiras com fusos horários diferentes.

No segundo turno, os eleitores votarão para presidente e vice-presidente da República e, nos estados em que a disputa não foi definida no primeiro turno, também para governador e vice-governador.

A Justiça Eleitoral informa que 158.765.543 eleitoras e eleitores estavam aptos a participar das Eleições Gerais de 2026.

É uma das maiores mobilizações democráticas realizadas regularmente no mundo.

PRIMEIRA PROVIDÊNCIA: CONFIRA ONDE VOCÊ VAI VOTAR

Esta talvez seja a recomendação mais importante para os próximos dias: não deixe para descobrir seu local de votação quando já estiver saindo de casa.

Neste sábado, 17 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral voltou a orientar os cidadãos a consultarem antecipadamente seus locais de votação.

A preocupação tem uma razão prática. Podem existir alterações de locais ou seções eleitorais, e chegar ao endereço errado no domingo pode significar deslocamento adicional, atraso e dificuldade para votar.

A consulta pode ser realizada pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral da Justiça Eleitoral e pelo assistente virtual ChatVote.

O próprio presidente do TSE solicitou aos Tribunais Regionais Eleitorais que deem ampla divulgação a eventuais mudanças.

Portanto, mesmo quem vota há muitos anos no mesmo lugar deve reservar alguns minutos nesta semana para conferir.

É uma pequena providência que pode evitar um grande transtorno.

QUE DOCUMENTO LEVAR?

O eleitor precisa apresentar documento oficial com fotografia para votar.

Entre os documentos aceitos estão:

  • carteira de identidade;
  • Carteira Nacional de Habilitação;
  • passaporte;
  • certificado de reservista;
  • carteira de trabalho;
  • carteira profissional reconhecida por lei.

Segundo a Justiça Eleitoral, esses documentos podem ser apresentados mesmo que estejam com a validade vencida, desde que permitam a identificação do eleitor.

O título eleitoral impresso, por sua vez, não é obrigatório para votar.

Também pode ser utilizado o e-Título, desde que o aplicativo apresente a fotografia do eleitor. Isso ocorre para quem possui os dados biométricos cadastrados e a foto disponível no documento digital.

Se o e-Título não exibir fotografia, é necessário apresentar outro documento oficial com foto.

QUEM NÃO VOTOU NO PRIMEIRO TURNO PODE VOTAR NO SEGUNDO?

Pode.

Essa é uma informação especialmente importante porque ainda existe confusão sobre o assunto.

Para a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição independente.

Isso significa que a pessoa que não compareceu no primeiro turno não perde automaticamente o direito de participar do segundo.

Se sua inscrição eleitoral estiver regular — isto é, não estiver cancelada ou suspensa —, poderá votar normalmente no dia 25 de outubro.

A ausência no primeiro turno deverá ser regularizada separadamente.

E QUEM ESTIVER FORA DA CIDADE?

Há duas situações diferentes.

Quem solicitou previamente o voto em trânsito, dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, deverá comparecer ao local definido para essa modalidade.

Segundo o TSE, 314.519 pessoas solicitaram voto em trânsito para o segundo turno de 2026.

Já o eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral e não estiver habilitado para votar em trânsito poderá justificar a ausência.

No dia da eleição, a justificativa poderá ser apresentada pelo e-Título ou presencialmente nos locais destinados ao recebimento de justificativas.

Quem não justificar no próprio domingo ainda poderá fazê-lo posteriormente. Para a ausência no segundo turno de 2026, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027.

Nesse caso, será necessário apresentar a justificativa e a documentação exigida para demonstrar o motivo da ausência.

E atenção: quem faltou aos dois turnos precisa tratar cada ausência separadamente.

CELULAR NÃO ENTRA NA CABINE DE VOTAÇÃO

O telefone celular pode acompanhar o eleitor até a seção eleitoral, mas não pode entrar com ele na cabine de votação.

A regra vale também para máquinas fotográficas, filmadoras e outros equipamentos capazes de registrar ou comprometer o sigilo do voto.

Antes de se dirigir à urna, o eleitor deverá deixar o aparelho no local indicado pela mesa receptora.

A medida protege um dos princípios fundamentais da eleição: o voto é secreto.

Isso significa que não se deve fotografar ou filmar a tela da urna para demonstrar em quem se votou.

O sigilo não é apenas uma garantia individual. Ele também ajuda a impedir mecanismos de coerção, compra de votos ou exigência de comprovação da escolha eleitoral.

POSSO USAR CAMISETA, ADESIVO OU BROCHE?

A manifestação individual e silenciosa da preferência política é permitida.

O eleitor pode, por exemplo, utilizar camiseta, broche, adesivo ou outro adorno relacionado à sua preferência eleitoral.

O que não é permitido é transformar essa manifestação individual em ação coletiva destinada a influenciar outros eleitores.

São proibidas, até o término da votação, manifestações coletivas ou ruidosas, abordagem de eleitores, aliciamento, métodos de persuasão e distribuição de materiais ou brindes com finalidade eleitoral.

A lógica é simples: no dia da eleição, cada cidadão deve poder chegar à sua seção e fazer sua escolha livremente.

A ÚLTIMA SEMANA EXIGE CUIDADO REDOBRADO COM A DESINFORMAÇÃO

Os últimos dias antes de uma eleição costumam produzir enorme circulação de informações.

Vídeos curtos, áudios, recortes de entrevistas, pesquisas, montagens, declarações antigas apresentadas como novas e conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial podem chegar ao eleitor em poucos segundos.

A velocidade é enorme.

A capacidade de verificar nem sempre acompanha essa velocidade.

Por isso, uma regra simples pode ajudar nesta semana:

antes de compartilhar, pare e verifique.

Pergunte:

Quem publicou?

Existe uma fonte identificável?

A informação aparece em outros veículos confiáveis?

O vídeo está completo ou foi recortado?

A declaração é realmente atual?

Existe confirmação oficial?

A Justiça Eleitoral mantém a página Fato ou Boato, destinada à verificação de informações relacionadas ao processo eleitoral, além do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade).

O Siade recebe alertas sobre conteúdos falsos, enganosos ou descontextualizados capazes de afetar a integridade das eleições, incluindo informações falsas sobre data, horário ou local de votação, funcionamento das urnas e mensagens destinadas a impedir ou desestimular o exercício do voto.

Há uma responsabilidade que não pertence apenas às autoridades ou às plataformas digitais.

Cada cidadão também participa do ambiente informacional.

Não compartilhar aquilo que não foi verificado já é uma forma de proteger o processo democrático.

NÃO ESCOLHA APENAS PELO ÚLTIMO VÍDEO QUE CHEGOU AO CELULAR

A última semana também pode ser uma oportunidade para o eleitor diminuir o ruído.

Em vez de acompanhar apenas acusações, frases de efeito ou episódios isolados, pode ser mais útil comparar propostas e trajetórias.

Quais são as prioridades apresentadas pelos candidatos?

Como pretendem executá-las?

De onde sairão os recursos?

As propostas dependem do Executivo, do Congresso ou de outras instituições?

Há coerência entre aquilo que o candidato promete agora e aquilo que defendeu anteriormente?

Essas perguntas ajudam a transformar a decisão eleitoral em algo mais consistente do que a reação emocional ao conteúdo mais recente recebido pelo celular.

Democracia pressupõe liberdade de escolha.

Mas a qualidade dessa escolha aumenta quando existe informação.

DISCORDAR NÃO TRANSFORMA O OUTRO EM INIMIGO

Há ainda uma preparação que não cabe no aplicativo, no documento ou no título eleitoral.

É a preparação para conviver com quem pensa diferente.

Famílias podem votar de maneiras diferentes.

Amigos podem discordar.

Colegas de trabalho podem apoiar projetos políticos opostos.

Isso faz parte da democracia.

A eleição existe justamente porque não pensamos todos da mesma maneira.

O voto resolve temporariamente quem exercerá determinado mandato. Ele não elimina diferenças de opinião, nem concede a nenhum grupo o monopólio da cidadania.

Quando as urnas fecharem, o Brasil continuará sendo o país de todos os brasileiros — inclusive daqueles que votaram no candidato derrotado.

Essa compreensão talvez seja uma das mais importantes nesta reta final.

O QUE AINDA ACONTECE NESTA SEMANA

A campanha eleitoral continuará nos próximos dias, mas existem prazos específicos.

De acordo com o calendário eleitoral, 22 de outubro, quinta-feira, será o último dia para a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão relativa ao segundo turno e também para a realização de debates nessas plataformas, observadas as regras eleitorais.

No sábado, 24 de outubro, véspera da eleição, algumas atividades de campanha, como distribuição de material gráfico, caminhada, carreata e passeata, poderão ocorrer até as 22 horas, dentro das regras estabelecidas pela legislação.

Na terça-feira, 20 de outubro, começa ainda o período em que eleitores não podem ser presos ou detidos, salvo nas exceções previstas na legislação eleitoral, como flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou desrespeito a salvo-conduto.

UMA SEMANA PARA PENSAR — NÃO APENAS PARA TORCER

Uma eleição presidencial naturalmente desperta paixões.

Mas talvez a melhor utilização dos próximos sete dias seja trocar parte da torcida pela reflexão.

Ler.

Comparar.

Questionar.

Verificar.

Conversar.

Ouvir quem pensa diferente.

E, finalmente, decidir.

No próximo domingo, diante da urna, não estarão presentes os grupos de WhatsApp, os influenciadores, os comentaristas, os candidatos nem os algoritmos das redes sociais.

Estará o eleitor.

Sozinho.

Diante de uma escolha que é pessoal, secreta e protegida pela Constituição.

É justamente nesse instante silencioso que uma democracia se torna concreta.

Por isso, a uma semana do segundo turno, talvez a recomendação mais importante seja também a mais simples:

informe-se antes de votar, respeite quem pensa diferente e faça sua escolha com consciência.

Porque eleições passam.

Governos passam.

As divergências políticas também mudam.

Mas o país que existirá na manhã seguinte continuará pertencendo a todos nós.

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