Direito

Esdras Dantas, presidente da ABA, defende que acusados fiquem ao lado do defensor para evitar pré-julgamentos no Tribunal do Júri

No momento mais decisivo de um julgamento — aquele em que a liberdade de uma pessoa está nas mãos de jurados — um detalhe silencioso pode influenciar tudo: a forma como o réu é apresentado.

O advogado Esdras Dantas de Souza, presidente da Associação Brasileira de Advogados, acendeu um alerta sobre uma prática ainda comum no Brasil: manter o acusado sob escolta ostensiva durante o Tribunal do Júri.

Para ele, isso não é apenas uma questão de segurança.
É uma questão de justiça.

A imagem que fala antes das provas

No plenário do júri, o impacto visual tem peso.

Um réu cercado por policiais pode, ainda que inconscientemente, transmitir aos jurados uma mensagem perigosa:

  • “Ele representa risco”
  • “Ele precisa ser contido”
  • “Ele provavelmente é culpado”

E quando essa percepção surge antes da análise das provas, o julgamento já começa comprometido.

O risco do pré-julgamento silencioso

O princípio da presunção de inocência é claro: ninguém pode ser considerado culpado antes de decisão definitiva.

Mas, na prática, a forma como o réu é exposto pode enfraquecer esse princípio.

Segundo Esdras Dantas, a presença constante de escolta dentro do plenário pode criar um cenário de julgamento desigual — onde a imagem pesa tanto quanto, ou até mais do que, os argumentos jurídicos.

A proposta: réu ao lado do defensor

A posição defendida pelo presidente da ABA é objetiva:

  • Que o réu permaneça ao lado de seu advogado durante o julgamento
  • Sem exposição desnecessária ou constrangedora
  • Sem a presença ostensiva de policiais no plenário, salvo situações excepcionais

A proposta não elimina a segurança.
Ela evita que a segurança se transforme em constrangimento.

Dignidade também faz parte da Justiça

“O julgamento precisa ser justo — e também precisa parecer justo.”

A afirmação resume o ponto central defendido por Esdras Dantas: a dignidade da pessoa humana não pode ser relativizada justamente no momento em que o Estado exerce seu maior poder — o de julgar.

Conclusão: justiça não pode começar com suspeita

Ao levantar esse debate, o presidente da ABA traz à tona uma reflexão necessária:

A Justiça não se constrói apenas nas leis ou nas sentenças.

Ela começa na forma como as pessoas são tratadas dentro do processo.

E um julgamento verdadeiramente justo não pode nascer de uma imagem de culpa.

Associação Brasileira de Advogados (ABA)
“Defendendo a dignidade no julgamento. Protegendo a essência da Justiça.”

 

 

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo