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O que a advocacia me ensinou sobre reputação

Por Esdras Dantas de Souza

Depois de tantos anos no exercício da advocacia, aprendi que há coisas que conquistamos com conhecimento, outras com trabalho e algumas com oportunidades. Mas a reputação pertence a uma categoria diferente: ela é construída todos os dias e nunca exclusivamente por nós.

Podemos escrever o nosso currículo, apresentar os nossos títulos e contar a nossa trajetória. A reputação, porém, é aquilo que as pessoas dizem a nosso respeito quando não estamos presentes.

Na advocacia, aprendi cedo que o conhecimento jurídico é indispensável, mas não suficiente. O advogado pode conhecer profundamente a lei e, ainda assim, comprometer sua trajetória se não souber honrar a palavra, respeitar as pessoas, reconhecer seus limites e agir com dignidade nos momentos difíceis.

A reputação nasce justamente nesses pequenos acontecimentos que quase nunca aparecem no currículo.

Está na forma como tratamos o cliente quando ele já não pode nos oferecer nada. Na maneira como nos comportamos diante do adversário. No respeito ao colega que está começando. Na coragem de dizer “não” quando aceitar seria mais conveniente. Na humildade de reconhecer um erro. E, sobretudo, na coerência entre aquilo que defendemos publicamente e aquilo que fazemos quando ninguém está olhando.

Também aprendi que reputação não se constrói tentando parecer importante. Constrói-se procurando ser confiável.

Ao longo da vida profissional, encontramos pessoas que hoje ocupam posições de poder e amanhã talvez não ocupem mais. Encontramos adversários que se tornam companheiros, companheiros que se tornam amigos e pessoas desconhecidas que, anos depois, reaparecem em nossa caminhada.

Por isso, sempre acreditei que não devemos ser cordeiros perante os fortes, nem leões perante os fracos. A verdadeira reputação exige equilíbrio: firmeza sem arrogância, autoridade sem prepotência e humildade sem submissão.

Depois de uma longa caminhada na advocacia, cheguei a uma conclusão muito simples: o maior patrimônio de um advogado talvez não esteja no escritório que construiu, nos processos que venceu ou nos cargos que ocupou. Está no seu nome.

Um nome que inspira confiança leva décadas para ser construído e pode ser comprometido em poucos minutos.

Por isso, se pudesse deixar um conselho aos colegas mais jovens, seria este: cuidem do conhecimento, da carreira e das oportunidades, mas cuidem especialmente do próprio nome.

Porque chegará um momento em que os cargos terminarão, os processos serão arquivados e os títulos deixarão de importar tanto.

E permanecerá uma pergunta:

Quando alguém ouvir o seu nome, o que sentirá?

Essa resposta é a sua reputação.

Esdras Dantas de Souza
Advogado e Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)
Ex-Presidente da OAB/DF e ex-Diretor do Conselho Federal da OAB

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