Esdras Dantas de Souza: O abuso de autoridade no Brasil precisa ser enfrentado com firmeza
Quando o poder ultrapassa limites, a advocacia é chamada a restaurar o equilíbrio

Foto de arquivo
O cidadão comum pode até não perceber, mas há uma linha invisível que sustenta a democracia:
o limite do poder.
Quando essa linha é respeitada, há ordem, segurança e justiça.
Quando é ultrapassada, surge o abuso — e com ele, o risco de arbitrariedade.
No Brasil, episódios de abuso de autoridade ainda não são exceção.
E enfrentá-los com firmeza não é uma opção.
É uma necessidade institucional.
O que caracteriza o abuso de autoridade
O abuso de autoridade ocorre quando agentes públicos utilizam o poder que lhes foi confiado para agir além dos limites legais.
Isso pode se manifestar de diversas formas:
- constrangimentos indevidos
- decisões arbitrárias
- desrespeito a direitos fundamentais
- uso do cargo para intimidação
Em todos esses casos, o que está em jogo não é apenas um excesso individual.
É o equilíbrio do próprio sistema democrático.
Quando o poder não encontra limites
O maior risco do abuso de autoridade não está apenas no ato em si, mas na sua repetição.
Quando não há reação institucional:
- práticas abusivas se tornam comuns
- o cidadão perde confiança no sistema
- a sensação de impunidade cresce
- o Direito passa a ser relativizado
E, em um cenário como esse, a Justiça deixa de ser referência.
Passa a ser questionada.
O papel essencial da advocacia
É nesse ponto que a advocacia se torna indispensável.
O advogado não atua apenas para defender interesses individuais.
Ele atua para conter excessos.
É o profissional que:
- questiona ilegalidades
- provoca o Judiciário
- assegura o contraditório
- garante que a lei seja respeitada
Sem a atuação firme da advocacia, muitos abusos sequer seriam enfrentados.
A dor real dos advogados diante do abuso
Mas há uma realidade que precisa ser reconhecida.
Muitos advogados enfrentam dificuldades ao combater abusos de autoridade:
- resistência institucional
- desrespeito às prerrogativas
- tentativas de intimidação
- falta de espaço para atuação plena
Em alguns casos, o próprio advogado se torna alvo.
E isso revela um problema grave:
quando quem defende o Direito é pressionado, o sistema inteiro se fragiliza.
Prerrogativas não são privilégios — são proteção contra abusos
As prerrogativas da advocacia existem exatamente para permitir que o advogado atue com independência.
Elas não foram criadas por conveniência.
Foram estabelecidas por necessidade.
Garantem que o profissional possa:
- acessar informações
- se manifestar livremente
- exercer a defesa sem constrangimentos
Sem essas garantias, o combate ao abuso de autoridade se torna praticamente inviável.
Enfrentar com firmeza, mas com responsabilidade
Combater o abuso de autoridade não significa confronto desmedido.
Significa:
- agir com técnica
- utilizar os instrumentos legais
- manter postura firme e respeitosa
- fortalecer as instituições, e não enfraquecê-las
O enfrentamento deve ser feito com equilíbrio, mas sem omissão.
Porque o silêncio, nesse contexto, favorece o abuso.
Conclusão
O abuso de autoridade não pode ser tratado como um desvio pontual.
Ele precisa ser reconhecido, enfrentado e combatido com firmeza.
E a advocacia tem papel central nesse processo.
Porque, no fim, não se trata apenas de limitar o poder.
Trata-se de garantir que o cidadão nunca esteja sozinho diante dele.
Autor
Esdras Dantas de Souza
Advogado, Professor, Especialista em Direito Público, Colunista do Pauta Brasil e Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)
www.abanacional.com.br
Série: Artigos publicados entre os membros da ABA, para o seu aperfeiçoamento.



