Entrevista

Renata Fernandes: a advocacia que une saúde, inovação e propósito

Com mais de 20 anos de experiência, a especialista em Direito Médico revela como construir uma carreira estratégica, humanizada e conectada ao futuro da advocacia.

Em um cenário em que a advocacia exige cada vez mais especialização, sensibilidade e visão estratégica, profissionais que conseguem unir conhecimento técnico, experiência prática e propósito se destacam de forma natural.

É nesse contexto que se insere a trajetória da Dra. Renata Fernandes.

Advogada há mais de duas décadas, especialista em Direito Médico e da Saúde, com formação internacional pelo Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra, a Dra. Renata construiu uma carreira marcada pela excelência, pela liderança e pela capacidade de enxergar a advocacia além do modelo tradicional.

Com pós-graduação em Processo Civil pela UERJ e em Direito à Saúde pelo CERS, sua atuação vai além do campo jurídico: ela transita com naturalidade entre o Direito, a inovação e o empreendedorismo, contribuindo para a construção de uma advocacia mais moderna, eficiente e conectada às reais necessidades da sociedade.

Atualmente, ocupa posições de destaque como Diretora Geral da DNAES, Conselheira da OAB Niterói e Vice-Presidente de importantes comissões na OAB RJ, especialmente na defesa dos direitos dos pacientes — uma atuação que exige não apenas conhecimento jurídico, mas também empatia, responsabilidade e compromisso social.

Palestrante, coordenadora e coautora de obras jurídicas, a Dra. Renata é uma das vozes que representam a transformação da advocacia brasileira.

Nesta entrevista exclusiva ao Pauta Brasil, ela compartilha sua trajetória, visão de futuro e conselhos valiosos para advogados que desejam crescer, se posicionar e conquistar reconhecimento profissional em um mercado cada vez mais competitivo.

 

ENTREVISTA – DRA. RENATA FERNANDES

Advocacia com propósito, inovação e compromisso com a vida

  1. Trajetória e posicionamento

Pauta Brasil: Dra. Renata, sua trajetória reúne mais de duas décadas de atuação e uma sólida formação acadêmica, inclusive internacional. O que a motivou a escolher o Direito Médico e da Saúde como área de especialização?

Dra. Renata Fernandes:
A minha escolha pelo Direito Médico e da Saúde não nasceu apenas de uma decisão profissional, mas de uma experiência pessoal. Em 2011, enfrentei um câncer de mama e, naquele momento, precisei atuar em causa própria para garantir acesso ao melhor tratamento disponível.

Foi nesse cenário de dor, vulnerabilidade e luta por dignidade que eu descobri o meu propósito. A sensação de alívio e segurança que tive ao conseguir acessar um tratamento adequado despertou em mim o desejo de proporcionar esse mesmo sentimento a outras pessoas.

A partir dali, deixei uma atuação generalista para me dedicar de forma específica ao Direito Médico e da Saúde, com o compromisso de garantir não apenas direitos, mas dignidade, acesso à saúde e preservação da vida. Minha atuação passou a ser guiada por propósito — e isso transforma

 

  1. Experiência internacional e impacto prático

Pauta Brasil: A sua formação pelo Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra traz uma visão diferenciada. Como essa experiência internacional influenciou sua atuação no Brasil?

Dra. Renata Fernandes:
A experiência em Coimbra ampliou profundamente a minha visão sobre o Direito Médico. Estudar em uma instituição tão tradicional me permitiu compreender a origem, a evolução e os fundamentos desse ramo na Europa, o que traz uma base muito mais sólida para a atuação prática.

Além disso, esse contato com a realidade europeia evidenciou as diferenças em relação ao Brasil, especialmente no que diz respeito às garantias e aos direitos dos pacientes. Isso não apenas enriqueceu o meu conhecimento técnico, mas também me despertou para a necessidade de contribuir com a evolução desse cenário no nosso país.

Outro ponto fundamental foi o olhar multidisciplinar que a formação proporciona. O Direito Médico não pode ser exercido de forma isolada — ele exige diálogo com outras áreas, especialmente com a própria medicina. E essa visão integrada impacta diretamente na qualidade da atuação aqui no Brasil.

 

  1. Direito e humanização

Pauta Brasil: O Direito à Saúde envolve, muitas vezes, situações extremamente sensíveis. Como a senhora equilibra a atuação técnica com uma abordagem mais humanizada no atendimento aos seus clientes?

Dra. Renata Fernandes:
No Direito à Saúde, não lidamos apenas com processos — lidamos com vidas, histórias e, muitas vezes, com dor.

A técnica é indispensável, mas ela, sozinha, não é suficiente. A humanização vem da escuta ativa, do acolhimento e da capacidade de compreender que, do outro lado, existe alguém em situação de vulnerabilidade.

A minha própria vivência como paciente oncológica me permite olhar para cada caso com sensibilidade, sem perder a firmeza técnica necessária. Eu entendo o medo, a urgência, a insegurança, porque já vivi isso.

Equilibrar esses dois pilares é entender que excelência jurídica e empatia não competem — elas se complementam.

 

  1. Inovação e empreendedorismo jurídico

Pauta Brasil: A senhora atua na interseção entre Direito, inovação e empreendedorismo. Como enxerga o futuro da advocacia nessa área e quais oportunidades ainda são pouco exploradas pelos advogados?

Dra. Renata Fernandes:
A advocacia está passando por uma transformação inevitável. Hoje, não basta apenas ter conhecimento técnico — isso se tornou o básico.

O advogado precisa desenvolver habilidades complementares: gestão, comunicação, inteligência emocional, posicionamento e uso estratégico de ferramentas tecnológicas.

Existe um espaço enorme para inovação na advocacia, especialmente na forma de se posicionar, de se comunicar e de entregar valor ao cliente. Muitos profissionais ainda não exploram o potencial do empreendedorismo jurídico, seja na construção de autoridade, seja na criação de soluções práticas para problemas reais da advocacia.

O futuro pertence ao advogado que entende que advogar também é empreender.

 

  1. Liderança e gestão na advocacia

Pauta Brasil: Com experiência em liderança de equipes, quais são os principais desafios de gerir pessoas na advocacia e como desenvolver uma equipe alinhada com propósito e resultados?

Dra. Renata Fernandes:
Gerir pessoas é, sem dúvida, um grande desafio.

Minha trajetória na liderança institucional me ensinou que o maior desafio não está apenas na organização de tarefas, mas na compreensão de que cada indivíduo possui habilidades, perfis e motivações diferentes. Liderar é identificar essas potencialidades e posicionar cada pessoa de forma estratégica.

Outro ponto fundamental é o engajamento. Equipes não se constroem apenas com técnica, mas com propósito. Quando as pessoas entendem o porquê do que estão fazendo, elas se conectam e entregam mais.

E acima de tudo: liderança é serviço. É formar pessoas, desenvolver talentos e preparar novos líderes. O verdadeiro legado está na continuidade.

 

  1. Atuação institucional e impacto social

Pauta Brasil: Sua atuação em entidades como a OAB Niterói e na OAB RJ demonstra um forte compromisso institucional. Qual o papel dessas instituições na transformação da advocacia?

Dra. Renata Fernandes:
As instituições têm um papel fundamental na construção e fortalecimento da advocacia.

Foi através da atuação institucional que consegui enxergar de perto as dores da classe: as dificuldades dos jovens advogados, os desafios da carreira e a falta de preparo em áreas além do Direito.

Esses espaços permitem criar projetos, fomentar conhecimento e promover iniciativas que impactam diretamente a advocacia, como o ABA Law Experience, voltado à capacitação prática.

As instituições são pontes — entre conhecimento e prática, entre desafios e soluções.

 

  1. Direitos dos pacientes e causas sensíveis

Pauta Brasil: Como Vice-Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Pacientes Oncológicos e em Cuidados Paliativos, quais são hoje os maiores desafios enfrentados por esses pacientes no Brasil?

Dra. Renata Fernandes:
Os pacientes oncológicos, especialmente aqueles em cuidados paliativos, enfrentam uma realidade de extrema vulnerabilidade.

Os principais desafios ainda estão relacionados ao acesso ao tratamento adequado, à falta de informação e à dificuldade de garantir direitos básicos.

Muitas vezes, o paciente não sabe o que pode exigir e acaba sendo privado de um tratamento digno.

Por isso, o trabalho institucional é essencial: levar informação, conscientização e garantir direitos. Informação ainda é uma das ferramentas mais poderosas no combate ao câncer.

 

  1. Conselho para novos advogados

Pauta Brasil: Para os advogados que desejam se destacar no Direito Médico e da Saúde, qual conselho a senhora daria para construir uma carreira sólida, reconhecida e com propósito?

Dra. Renata Fernandes:
O primeiro passo é descobrir o seu propósito.

A advocacia é uma profissão desafiadora e, quando exercida apenas pelo retorno financeiro, pode se tornar pesada. O propósito sustenta o advogado nos momentos difíceis.

Além disso, é fundamental se especializar. Não é possível saber tudo, mas é possível ser referência em um nicho específico — e isso gera reconhecimento e autoridade.

E, por fim, desenvolver habilidades além do Direito: comunicação, gestão emocional e visão estratégica. Hoje, ter a carteira da OAB é apenas o começo. O diferencial está em como você constrói a sua trajetória.

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