ABA

A solidão silenciosa da advocacia: ninguém cresce isolado — nem gênio

Há uma dor na advocacia que raramente é dita em voz alta.

Ela não aparece nas fotografias institucionais.
Não está nos registros das audiências bem-sucedidas.
Não ocupa espaço nos currículos.

Mas ela existe — e pesa.

A solidão profissional.

O advogado decide sozinho.
Erra sozinho.
Carrega responsabilidades sozinho.
Absorve a angústia do cliente sozinho.
E, muitas vezes, volta para casa sem ter com quem dividir o peso do dia.

Não é fraqueza.
É estrutura.

A profissão que exige firmeza constante

A advocacia é uma das poucas atividades em que se espera segurança absoluta de alguém que também enfrenta dúvidas legítimas.

O cliente quer respostas.
O prazo exige precisão.
O magistrado cobra consistência.
A responsabilidade é pessoal e intransferível.

Quando algo dá errado — ou simplesmente não acontece como planejado — o impacto não é compartilhado. Ele é internalizado.

E o silêncio começa a ocupar espaço demais.

A solidão não é incapacidade

Muitos profissionais passam a interpretar essa sensação como sinal de insuficiência.

“Talvez eu não esteja preparado.”
“Talvez todos estejam mais confiantes do que eu.”
“Talvez o problema seja só comigo.”

Não é.

A solidão é consequência de uma advocacia exercida de forma isolada.
E o isolamento prolongado desgasta confiança, entusiasmo e propósito.

Vocação não significa suportar tudo calado.

Crescimento exige convivência

Grandes trajetórias jurídicas nunca foram construídas no isolamento.

Elas floresceram no debate.
Na troca de experiências.
Na convivência entre pares.
Na construção coletiva de conhecimento.

Nenhum talento amadurece no vazio.

O advogado precisa de espaço para dialogar, aprender, refletir e se fortalecer.

Precisa de ambiente.

Pertencimento como resposta à solidão

É nesse ponto que o papel da Associação Brasileira de Advogados se torna relevante e necessário.

A ABA não nasce como formalidade institucional.
Ela nasce como comunidade.

Uma rede de advogados que compreendem que a profissão é técnica, mas também profundamente humana.

Ao integrar a ABA, o advogado encontra:

  • ambiente de troca estratégica;
  • convivência com colegas de diferentes regiões;
  • oportunidades de participação em projetos e comissões;
  • reconhecimento institucional;
  • apoio real em momentos de dúvida e crescimento.

Pertencer não elimina os desafios da profissão.
Mas reduz o peso de enfrentá-los sozinho.

Uma palavra do presidente

O presidente da ABA, Esdras Dantas de Souza, resume essa visão com clareza:

“A advocacia não foi feita para ser vivida em solidão. O advogado precisa de técnica, mas também precisa de comunidade. A ABA existe para que nenhum profissional caminhe sozinho na sua jornada. Crescer é possível — desde que cresçamos juntos.”

A fala não é retórica.
É direção.

A proposta não é criar dependência, mas fortalecer autonomia por meio do apoio coletivo.

Humanidade fortalece, não enfraquece

Reconhecer a solidão não diminui autoridade.
Reconhecer limites não reduz competência.

A maturidade profissional começa quando o advogado entende que compartilhar experiências não o torna menor — o torna mais preparado.

A advocacia não é um teste de resistência emocional.
É uma missão técnica, ética e humana.

E missões humanas se cumprem melhor em conjunto.

Você não precisa continuar sozinho

Se a sensação de isolamento tem sido constante, saiba:

Ela não invalida sua trajetória.
Não apaga sua capacidade.
Não reduz seu valor.

Ela apenas revela que você é humano em uma profissão exigente.

Mas exigir muito não significa exigir solidão.

A advocacia pode ser sustentável.
Pode ser respeitosa.
Pode ser coletiva.

Porque ninguém cresce isolado — nem gênio.

E nenhum advogado precisa provar força carregando o mundo jurídico sozinho.

 

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