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Como advogar fora do Brasil: oportunidades, desafios e o futuro da advocacia internacional

Coluna de Esdras Dantas de Souza – Segunda-feira | Pauta Brasil

O mundo mudou. E a advocacia mudou com ele.

Se antes a atuação do advogado estava limitada às fronteiras geográficas do seu país, hoje ela dialoga com contratos internacionais, migrações, investimentos estrangeiros, compliance global e conflitos transnacionais. A pergunta que muitos profissionais fazem é direta: é possível advogar fora do Brasil?

A resposta é sim. Mas não sem preparo.

A advocacia não tem mais fronteiras

A globalização econômica, a digitalização de serviços jurídicos e o aumento da mobilidade internacional abriram portas inéditas para advogados brasileiros.

Brasileiros vivem nos Estados Unidos, Portugal, Itália, França, Espanha, Canadá, Reino Unido. Empresas nacionais expandem operações. Investidores estrangeiros aportam capital no país. O fluxo é constante.

E onde há circulação de pessoas e patrimônio, há Direito.

A atuação internacional pode ocorrer de várias formas:

  • Consultoria para brasileiros no exterior
  • Assessoria em contratos internacionais
  • Atuação em direito migratório
  • Planejamento patrimonial e tributação internacional
  • Arbitragem e mediação internacional
  • Parcerias com escritórios estrangeiros

Mas o caminho exige estratégia.

Revalidação: o primeiro grande desafio

Quem deseja exercer a advocacia plena em outro país precisa enfrentar o processo de revalidação ou equivalência profissional.

Cada país possui regras próprias. Alguns exigem exames adicionais. Outros impõem cursos complementares. Em determinadas jurisdições, o advogado pode atuar como consultor em Direito brasileiro, mas não como advogado local.

A revalidação é técnica, burocrática e, muitas vezes, demorada.

Mas é também um investimento.

Porque, ao enfrentar esse processo, o advogado amplia sua visão jurídica e passa a compreender o funcionamento de sistemas diferentes — civil law, common law, modelos híbridos.

E isso muda a forma de pensar o Direito.

Direito comparado: uma vantagem competitiva

O advogado que estuda Direito comparado não apenas amplia repertório. Ele desenvolve capacidade analítica diferenciada.

Compreender como outros países tratam contratos, responsabilidade civil, tributação, sucessões ou direitos fundamentais permite:

  • Antecipar riscos
  • Estruturar soluções inovadoras
  • Oferecer consultoria mais estratégica
  • Construir autoridade internacional

O profissional que domina mais de um sistema jurídico não compete apenas no mercado local. Ele dialoga com o mundo.

A atuação internacional começa no Brasil

Nem sempre é necessário mudar de país para atuar internacionalmente.

Muitos advogados desenvolvem carreira global permanecendo no Brasil, por meio de:

  • Parcerias com escritórios estrangeiros
  • Atendimento remoto
  • Consultoria para empresas multinacionais
  • Participação em redes internacionais

A internacionalização começa pela mentalidade.

O papel da Associação Brasileira de Advogados

A Associação Brasileira de Advogados tem defendido a ampliação das oportunidades para advogados brasileiros no exterior.

A entidade estimula:

  • Conexões internacionais
  • Formação estratégica
  • Visibilidade profissional além das fronteiras
  • Integração entre advogados no Brasil e fora dele

A advocacia internacional não é apenas um movimento individual. É também institucional.

Precisamos construir pontes.

O que está em jogo

Advogar fora do Brasil não é apenas buscar mercado. É expandir horizontes, dialogar com culturas diferentes, compreender outras formas de organização social e jurídica.

É crescimento profissional.
Mas também é crescimento humano.

O advogado que atravessa fronteiras aprende que o Direito é universal em seus princípios, mas diverso em suas aplicações.

E essa diversidade fortalece.

Conclusão: a advocacia do futuro é global

A advocacia do século XXI não será limitada por mapas. Será guiada por competência, ética e capacidade de adaptação.

O advogado que deseja atuar no exterior precisa estudar, planejar, investir e construir redes sólidas. Não é um salto impulsivo. É um projeto estruturado.

Mas para aqueles que se preparam, o mundo deixa de ser distante.

E passa a ser campo de atuação.

Na próxima segunda-feira, seguimos refletindo sobre os caminhos estratégicos da advocacia brasileira.

Porque crescer é também atravessar fronteiras.

 

 

 

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