Defender os pobres é fortalecer toda a sociedade
Por que ajudar quem tem menos não é caridade: é inteligência econômica, justiça social e visão de futuro

Introdução
Defender os pobres é mais do que um gesto humanitário. É uma decisão estratégica para a saúde da economia, para o equilíbrio social e para a segurança coletiva. Em um país onde milhões vivem com renda limitada, são essas pessoas que mantêm o comércio girando diariamente, comprando alimentos, produtos de higiene, remédios e serviços essenciais. O consumo básico sustenta cadeias produtivas inteiras — e, sim, ajuda a tornar os ricos mais ricos. Ignorar essa realidade não é apenas insensível. É improdutivo.
Os pobres movimentam a economia todos os dias
Quem vive com pouco consome o essencial com constância. Essa regularidade faz a economia respirar. Cada compra no mercadinho do bairro, na farmácia ou no transporte local ativa empregos, impostos e lucros. Economistas apontam que a renda nas camadas mais baixas tem maior propensão ao consumo imediato, o que acelera o giro econômico e reduz a estagnação.
Quando o dinheiro chega à base da pirâmide, ele circula rápido. Isso gera demanda, produção e arrecadação. O resultado é simples: comércio aquecido, indústria ativa e serviços funcionando. Sem esse motor, o crescimento trava.
Distribuição de renda é equilíbrio social — e segurança
Sociedades mais desiguais pagam um preço alto. A falta de oportunidades amplia tensões, fragiliza a coesão social e aumenta riscos. Investir em renda, educação e proteção social reduz conflitos e cria ambientes mais seguros para todos, inclusive para quem tem mais patrimônio.
A distribuição de renda não é antagonismo entre classes. É engrenagem. Quando há equilíbrio, todos ganham: o trabalhador, que vive com dignidade; o empreendedor, que vende; o investidor, que vê estabilidade; e o Estado, que arrecada e planeja melhor. O custo da exclusão é sempre maior do que o investimento na inclusão.
Quem rejeita os pobres perde mais do que imagina
Há quem acredite que desprezar ou ignorar os mais pobres traz vantagem. O oposto é verdadeiro. Sem consumo básico, não há escala. Sem escala, não há lucro sustentável. Sem inclusão, não há estabilidade. Ricos precisam dos pobres tanto quanto o inverso — não por dependência moral, mas por interdependência econômica.
A economia é um sistema de vasos comunicantes. Quando a base seca, o topo também sofre. Políticas que ampliam renda e acesso não diminuem riqueza; criam condições para que ela se multiplique de forma contínua.
Conclusão
Defender os pobres é defender o futuro. É compreender que dignidade, renda e oportunidades formam o alicerce de uma sociedade próspera. Ajudar quem tem menos não é caridade ocasional; é uma escolha inteligente que fortalece o mercado, reduz desigualdades e promove segurança coletiva. Quando a base está de pé, o todo cresce.
Chamada para ação: apoie iniciativas de inclusão, valorize políticas de distribuição de renda, incentive negócios locais e cobre soluções estruturais. Prosperidade verdadeira é aquela que alcança a todos — e permanece.
Por Esdras Dantas de Souza, advogado, professor e presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)



