Lula enfrenta dilema político entre Frente Ampla e Centrão em meio à queda de popularidade
Coluna Opinião Livre - Por Dante Navarro - Imagem: reprodução da internet

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive atualmente um impasse delicado ao tentar conciliar os interesses políticos de sua ampla base eleitoral formada em 2022 com a necessidade de manter próximos os partidos do Centrão para garantir governabilidade. Segundo analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a chamada “Frente Ampla”, montada para derrotar Jair Bolsonaro (PL), pode acabar se transformando em um desafio político significativo diante do cenário econômico adverso e da crescente desaprovação popular.
Inicialmente, esperava-se que Lula iniciasse sua reforma ministerial contemplando os partidos do Centrão, fundamentais para assegurar o êxito do Executivo nas votações importantes do Legislativo. Contudo, as mudanças anunciadas pelo presidente começaram dentro do seu próprio partido, sem sinalizar claramente quais outras legendas receberão espaço no governo, o que gera incertezas e especulações no meio político.
Parte da demora na reforma ministerial pode ser atribuída a uma estratégia para proteger ministérios com grandes orçamentos, como Saúde e Educação, que têm forte impacto social e político.
Após viagem oficial ao Japão e ao Vietnã, com retorno previsto para 30 de março, Lula deverá avançar nas mudanças ministeriais. A Frente Ampla originalmente reuniu legendas de esquerda e centro-esquerda, além do apoio de figuras tradicionalmente opostas ao PT, como Fernando Henrique Cardoso e José Serra, e economistas liberais como Persio Arida e Pedro Malan. Entretanto, após assumir o governo, Lula precisou ampliar a coalizão, incluindo partidos mais próximos ao Centrão, como União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD.
Um parlamentar do MDB próximo ao presidente reconhece que o governo provavelmente terá que reduzir o espaço político da esquerda para manter a estabilidade até 2026. Ainda segundo o parlamentar, não há risco imediato de desembarque geral dos partidos da base, mas questões como popularidade, a própria reforma ministerial e medidas econômicas (como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil) poderão definir o comportamento futuro do Centrão.
A desaprovação de Lula, que recentemente chegou a 53% segundo pesquisa do Poder360, adianta no Congresso Nacional um debate geralmente reservado ao final do ano: a janela partidária de março do próximo ano. Parlamentares já avaliam estrategicamente se devem permanecer na base governista ou se afastar, considerando possíveis impactos negativos nas eleições de 2026.
Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, sugere que partidos já demonstram cautela em relação ao governo devido à situação econômica do país, afirmando que diversas legendas podem optar por se distanciar para evitar prejuízos eleitorais futuros.
Nesse contexto, a capacidade de Lula em equilibrar demandas conflitantes de aliados políticos distintos será determinante para a sustentação e efetividade de seu governo nos próximos anos.