Segundo mandato de Donald Trump completa um ano e redefine o papel dos Estados Unidos no mundo
Decisões internas duras e movimentos externos de alto impacto marcaram os primeiros 12 meses do novo governo e reacenderam debates sobre democracia, economia e liderança global.

Introdução
Um ano pode parecer pouco tempo na história de um país. Mas, em política, doze meses são suficientes para alterar agendas, tensionar alianças e redefinir prioridades.
Foi assim desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Ao completar o primeiro ano de seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos conduz um governo que tem provocado efeitos internos profundos e repercussões internacionais relevantes.
Mais do que estilo pessoal, o período foi marcado por decisões concretas que recolocaram os EUA no centro das atenções globais.
Um governo de decisões rápidas e alto impacto
Desde a posse, Trump adotou uma postura de ação imediata. Tarifas comerciais, decretos presidenciais e reposicionamentos diplomáticos foram implementados com velocidade, frequentemente antes da formação de consensos internos ou externos.
Analistas observam que essa estratégia reforça a imagem de liderança firme para seus apoiadores, mas também amplia a imprevisibilidade nas relações institucionais e internacionais.
Política migratória no centro do debate interno
A imigração voltou a ocupar lugar central na agenda do governo. O reforço das operações do ICE resultou em centenas de milhares de deportações e em um número expressivo de autodeportações voluntárias.
Embora a Casa Branca sustente que as medidas buscam fortalecer a segurança nacional e o cumprimento da lei, organizações civis e autoridades locais questionaram métodos, impactos humanitários e eventuais excessos, levando o tema novamente aos tribunais e às ruas.
Perdões presidenciais e tensão institucional
Um dos atos mais simbólicos do início do mandato foi o perdão concedido a pessoas envolvidas na invasão do Capitólio, em janeiro de 2021 — episódio ocorrido após a derrota eleitoral de Trump para Joe Biden.
A decisão reacendeu discussões sobre limites do poder presidencial, independência do Judiciário e memória institucional, reforçando divisões já existentes na sociedade norte-americana.
Tarifas comerciais e impactos globais
No campo econômico, o chamado “tarifaço” global alterou cadeias produtivas e gerou reações imediatas de parceiros comerciais. Produtos de dezenas de países passaram a enfrentar alíquotas elevadas, sob o argumento de proteção da indústria nacional.
O Brasil viveu um capítulo específico nesse contexto. Após aumento de tarifas, negociações diplomáticas culminaram em uma reaproximação entre Washington e Brasília, com encontro entre Trump e o presidente Lula, seguido da retirada gradual de sobretaxas sobre exportações brasileiras estratégicas.
Universidades, imprensa e sistema jurídico sob pressão
O governo também ampliou seu embate com universidades, veículos de imprensa e setores do sistema jurídico. Investigações administrativas, cortes de repasses e ações judiciais bilionárias contra empresas de comunicação reacenderam debates sobre liberdade acadêmica, liberdade de imprensa e atuação profissional independente.
Especialistas destacam que, embora o confronto entre poder público e instituições seja parte da dinâmica democrática, o tom e a escala das medidas chamaram atenção dentro e fora do país.
Política externa: alianças reforçadas e novos conflitos
No cenário internacional, Trump aprofundou a parceria com Israel, mantendo interlocução frequente com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e atuando diretamente em negociações no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, ordenou ações militares contra alvos iranianos e assumiu protagonismo em conflitos sensíveis, reforçando a presença dos EUA como ator decisivo — e, para críticos, como fator adicional de instabilidade.
Relações complexas com Rússia e Ucrânia
A relação com a Rússia seguiu marcada por ambiguidades. Trump alternou elogios e críticas públicas ao presidente Vladimir Putin, enquanto pressionava o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por avanços em negociações de cessar-fogo.
Esses movimentos reforçaram a percepção de uma diplomacia personalizada, com forte influência direta do presidente nas conduções estratégicas.
Operações militares e questionamentos internacionais
Ações militares no Caribe e no Pacífico, justificadas pelo combate ao tráfico de drogas, resultaram em dezenas de mortes e geraram críticas de organismos internacionais, incluindo a ONU. As operações levantaram discussões sobre proporcionalidade, soberania e direito internacional.
Saúde pública, vacinas e ajuda humanitária
No campo social, mudanças na política de saúde — incluindo a revisão do calendário vacinal — provocaram alertas de entidades médicas. Paralelamente, o encerramento das atividades da USAID sinalizou uma inflexão na atuação humanitária dos Estados Unidos no exterior.
O caso Epstein e a pressão por transparência
A promessa de divulgação total dos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein voltou ao centro do debate após a revelação de vínculos envolvendo figuras públicas. Apesar de avanços legislativos, a liberação efetiva dos arquivos segue limitada, mantendo o tema em evidência.
Conclusão
Ao completar um ano de seu segundo mandato, Donald Trump consolida um governo que não passa despercebido. As decisões adotadas até aqui reforçam um estilo de liderança assertivo, capaz de mobilizar apoios e resistências em igual medida.
Mais do que balanços imediatos, o período deixa uma pergunta em aberto: até que ponto essa forma de governar redefinirá, de maneira duradoura, o papel dos Estados Unidos no cenário global e na própria democracia interna?
Acompanhar esses desdobramentos com atenção e espírito crítico será essencial para compreender os próximos capítulos da política internacional.
Por Dante Navarro



