Internacional

EUA anunciam captura de Nicolás Maduro e dizem assumir controle provisório da Venezuela

A imagem é uma reprodução da internet

Segundo o governo americano, presidente venezuelano foi detido em operação militar neste sábado; Caracas denuncia agressão e comunidade internacional reage com divisão

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado neste sábado durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, de acordo com declarações do presidente americano Donald Trump. A ação, que incluiu ataques aéreos em território venezuelano, marcou uma escalada inédita na crise política do país e provocou reações imediatas dentro e fora da América Latina.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que Maduro e sua esposa foram detidos e retirados do país por via aérea. O presidente americano não informou o local para onde o líder venezuelano teria sido levado nem apresentou detalhes adicionais sobre as circunstâncias da captura.

Pouco depois do anúncio, autoridades dos Estados Unidos informaram que Maduro foi formalmente indiciado em território americano por acusações relacionadas a narcotráfico e terrorismo, acusações que o governo venezuelano nega há anos. Caracas, por sua vez, denunciou o episódio como uma agressão militar estrangeira e exigiu provas de que Maduro estaria vivo e sob custódia americana.

Ataque militar e situação nas ruas de Caracas

Relatos de moradores e jornalistas indicam que explosões foram ouvidas durante a madrugada na capital venezuelana, Caracas, a partir das 2h do horário local. Colunas de fumaça puderam ser vistas em diferentes pontos da cidade, e vídeos gravados por civis mostram detonações e aeronaves voando a baixa altitude.

Segundo colaboradores da BBC News Mundo, várias regiões da capital ficaram sem energia elétrica, embora autoridades venezuelanas não tenham divulgado um balanço oficial dos danos. Nas ruas, houve manifestações tanto de apoio quanto de rejeição à ação americana, refletindo a polarização que marca a sociedade venezuelana.

Em entrevista coletiva realizada na Flórida, Trump afirmou que os Estados Unidos assumirão temporariamente a administração da Venezuela, alegando a necessidade de garantir uma transição segura após a retirada de Maduro do poder.

“Ficaremos no controle até que possamos realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”, disse Trump, sem estabelecer prazo para o fim da ocupação ou para a devolução do controle político aos venezuelanos.

O presidente americano também afirmou que a economia petrolífera do país se encontra em colapso e declarou que os EUA estariam prontos para realizar novas ações militares, caso considerem necessário.

Reações internacionais e temores sobre instabilidade

A operação foi condenada por China, Rússia, Irã e por diversos governos latino-americanos, que classificaram a ação como violação da soberania venezuelana. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o ataque é “inaceitável” e representa um “precedente perigoso” nas relações internacionais.

Segundo analistas, a reação tardia de alguns governos da região evidencia a fragilidade diplomática da América Latina diante de uma intervenção direta dos Estados Unidos. A professora de Relações Internacionais Marsílea Gombata, da FAAP e pesquisadora do NUPRI-USP, avalia que o episódio expõe a dificuldade regional de resposta coordenada a crises dessa magnitude.

Interlocutores do governo brasileiro relataram preocupação com um possível vácuo de poder na Venezuela. Há receio de que disputas internas entre forças armadas ou grupos armados levem o país a um cenário de instabilidade prolongada, semelhante ao observado em conflitos no Oriente Médio e em partes da África.

Enquanto isso, o presidente da Argentina, Javier Milei, manifestou apoio à operação, classificando o episódio como um “avanço da liberdade”. No Brasil, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, elogiou a ação e afirmou que ela enfraqueceria alianças políticas de esquerda na região.

Como os EUA descrevem a operação

Segundo Trump, a captura de Maduro ocorreu durante uma ofensiva militar de grande escala, conduzida em conjunto por forças armadas e agências de segurança dos Estados Unidos. Em coletiva de imprensa, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou que a ação — denominada “Operação Resolução Absoluta” — foi planejada ao longo de meses.

De acordo com Caine, as forças americanas neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos e mantiveram o “elemento surpresa” durante toda a operação. Helicópteros teriam sido alvejados ao se aproximarem do local onde Maduro se encontrava, mas conseguiram retornar à base após responderem ao ataque.

O general afirmou ainda que a extração envolveu mais de 150 aeronaves e integração entre Exército, Marinha, Aeronáutica, Fuzileiros Navais, agências de inteligência e forças policiais. Segundo ele, Maduro e sua esposa se renderam e foram transferidos para custódia do Departamento de Justiça dos EUA, sendo levados ao porta-aviões USS Iwo Jima.

Até o momento, autoridades venezuelanas não confirmaram oficialmente a captura nem divulgaram informações sobre o paradeiro do presidente.

Um episódio com impactos globais

A captura de um chefe de Estado em exercício por uma potência estrangeira representa um evento raro e de alto impacto no sistema internacional, com implicações jurídicas, políticas e diplomáticas ainda difíceis de dimensionar.

Especialistas alertam que os próximos dias serão decisivos para entender se a ação resultará em uma transição política estável ou se abrirá um novo ciclo de instabilidade regional. Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com cautela os desdobramentos de uma operação que redefine, ao menos temporariamente, o equilíbrio de forças na América do Sul.

O que acontecerá com a Venezuela após a retirada de Nicolás Maduro permanece incerto — e será determinante para o futuro político do país e da região.

 

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